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"O detalhe indefinido"

Paulo Lago de Carvalho

Arquiteto, Prod Arquitectura & Design

Paulo Lago de Carvalho
A investigação do objeto arquitetónico contemporâneo concebido enquanto light construction opera sobre uma revisão do conceito moderno de transparência, propondo desestabilizar a relação tradicional entre estrutura e pele. Ao mesmo tempo expande o seu significado, privilegiando aparência (perceção) sobre forma (linguagem). Afasta-se assim da objetividade visual para estabelecer relações subjetivas e dinâmicas com o observador. O desenvolvimento de estratégias de velamento, recorrendo a transparências ‘não literais’, inauguram contradições entre materialidade e perceção, informação e experiência, que aproximam a espaço contemporâneo da cultura de fluxos onde a sensação de gravidade se torna ausente. A expressão atetónica desejada depende em grande medida da eliminação de remates visuais e consequente indefinição de limites. Neste sentido, procura-se que a estrutura perca a sua capacidade de definição formal do objeto arquitetónico, através de operações de desvanecimento resolvidas com o detalhe construtivo. A sua conceção, de acordo com as possibilidades e limitações que a matéria impõe, reveste-se de uma importância crítica. Mais do que um condensador de significado, pretende-se que, uma vez resolvido, mantenha a capacidade de se silenciar.
Neste contexto, o vidro torna-se um meio privilegiado para investigação. Assumindo ele próprio um papel estrutural, a fronteira entre suporte e revestimento é eliminada. Hoje, o vidro pode - como o betão - tornar-se híbrido, para assim obter atributos estruturais. Através de tecnologia estado da arte é possível reforçar o vidro, embebendo elementos metálicos semitransparentes na espessura invisível do laminado. Quando sobrepostos, os diferentes materiais que o compõem oferecem um jogo subtil e complexo de diferentes graus de transparência. Com a natural alteração das condições de iluminação e observação, o detalhe mostra a sua pregnância arquitetónica, regressando ao que Mies van der Rohe definiu como beinahe nichts, em que o nada é tudo.
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