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José Carlos Oliveira

... por estes dias celebra-se (uma vez mais) a arquitetura portuguesa. Eduardo Souto Moura recebeu a distinção máxima da arquitetura na Bienal de Veneza (!). Uma das muitas, crescentes, distinções aos autores e à arquitetura portuguesa nos últimos 40 anos. Sirvo-me do Leão de Ouro, para ilustrar a qualidade do trabalho dos arquitetos. São tantos e tão bons os que prestam serviço à arquitetura a partir de Portugal.
Não o refiro por vaidade. Evoco o louvor sob a forma de protesto. "Já o silêncio não é de oiro: é de cristal; redoma de cristal este silêncio imposto. (…)”... por um anacronismo promulgado pelo Presidente da República (chamou-lhe "exceção transitória”) e que permite a um conjunto de engenheiros assinar projetos de arquitetura (?!).
Não celebro por vaidade, mas por agradecimento. A atribuição do Prémio Pritzker em 1992 a Álvaro Siza fez emergir a singularidade da arquitetura portuguesa que, no silêncio, tecia a sua identidade. Identidade reinventada por si (za). Num mundo saturado de imagens espetaculares, da prodigalidade das formas, afinal o que torna alguma arquitetura portuguesa tão providencial? Talvez a quietude. Talvez o claro. Talvez a firmeza. Talvez o despojamento. Talvez porque é apenas arquitetura e não mais. Talvez porque é "inteira – … toda em cada coisa”.
Julgo que o tempo (vagaroso), a marginalidade, a clausura e a pobreza nos moldaram o modo de pensar e de fazer. Mais do que o nosso passado erudito, a lição fundou-se no trabalho artesanal, no engenho da simplicidade de meios, na (des)beleza popular. Silenciosamente à procura de não fazer mais do que é necessário se ergueu uma ideia de existir. Silenciosamente.

[1] Silêncio, David Mourão-Ferreira, in "Tempestade de Verão” 
[2] Ricardo Reis, in "Odes” Heterónimo de Fernando Pessoa